José Berenguer e o mapa dos banqueiros que redesenham o financiamento de infraestrutura no Brasil em 2026

CEOs de grandes bancos comerciais assumem papel central como gatekeepers de crédito de longo prazo, num cenário onde debêntures avançam e equity sofre com a Selic alta

9 de junho de 2026Infraestrutura
Escrito por:GRI Institute

Resumo Executivo

O artigo analisa como CEOs de grandes bancos comerciais, com destaque para José Berenguer (Banco XP), assumiram papel central no financiamento de infraestrutura no Brasil em 2026. Com a Selic elevada travando o mercado de equity e IPOs, os incentivos fiscais acabam favorecendo debêntures, consolidando a renda fixa como principal vetor de funding do setor. A Lei nº 14.801/2024 ampliou instrumentos ao beneficiar emissores diretamente. A ABDIB projeta investimentos recordes, mas a execução depende da disposição dos bancos em alocar capital de longo prazo, tornando seus comitês de crédito o filtro decisivo da agenda de infraestrutura.

Principais Insights

  • CEOs de grandes bancos comerciais tornaram-se gatekeepers decisivos do financiamento de infraestrutura no Brasil em 2026.
  • A Selic elevada inviabiliza IPOs e emissões de equity, canalizando capital para debêntures incentivadas.
  • A Lei nº 14.801/2024 reconfigurou o mercado ao conceder benefícios fiscais diretamente aos emissores de debêntures.
  • Operações com debêntures saltaram de R$ 90 milhões em 2020 para dezenas de bilhões nos anos seguintes.
  • A ABDIB projeta investimentos recordes em infraestrutura para 2026.
  • O gargalo não é escassez de capital, mas custo do dinheiro e ambiente de negócios.

O volume de investimentos em infraestrutura no Brasil atingiu seu maior patamar em seis anos consecutivos de alta, segundo dados da ABDIB divulgados em fevereiro de 2026. A expectativa para este ano é ainda mais ambiciosa: a associação projeta que os aportes no setor alcancem um recorde histórico, superando o pico anterior registrado em 2014. No centro dessa expansão, uma camada de líderes pouco mapeada pelo mercado editorial ganha protagonismo, os CEOs de grandes bancos comerciais e de investimento que funcionam como gatekeepers das linhas de crédito de longo prazo para projetos de concessões, PPPs e energy.

José Berenguer, CEO do Banco XP, é talvez o nome mais emblemático dessa geração de banqueiros-executivos que conectam balanço bancário a project finance em escala. Em maio de 2026, Berenguer expôs com clareza cirúrgica o dilema estrutural do financiamento de infraestrutura no país: a Selic elevada trava IPOs e emissões de equity, enquanto os incentivos fiscais vigentes acabam turbinando a renda fixa, em especial as debêntures, em detrimento do mercado de ações voltado ao setor, conforme reportado pelo NeoFeed e BlockTrends.

Essa leitura não é trivial. Ela revela um desalinhamento entre a arquitetura de incentivos fiscais e a necessidade de diversificação das fontes de capital para infraestrutura, tema que tem dominado os debates promovidos pelo GRI Institute ao longo de 2026.

Quem são os gatekeepers do crédito de infraestrutura no Brasil?

O ecossistema de financiamento de infraestrutura brasileiro opera em camadas. A primeira, amplamente coberta pela imprensa especializada, inclui estruturadores de project finance, boutiques de advisory e gestores de fundos. São profissionais que desenham operações, modelam riscos e distribuem papéis. A segunda camada, menos visível mas igualmente decisiva, é composta pelos CEOs de grandes bancos comerciais e de investimento que controlam a alocação de capital proprietário e a originação de crédito de longo prazo.

José Berenguer lidera o Banco XP numa fase em que a instituição se posiciona como elo entre o mercado de capitais e o financiamento de projetos de grande porte. O diagnóstico que ele apresenta sobre o efeito da Selic sobre o equity é, na prática, um mapa de navegação para concessionárias e desenvolvedores de projetos: enquanto a taxa básica permanecer nos patamares atuais, o caminho do financiamento passa obrigatoriamente pela renda fixa.

Essa dinâmica coloca os CEOs de bancos de atacado numa posição de influência estratégica singular. São eles que decidem o apetite institucional para subscrever debêntures, estruturar garantias e alocar capital em operações de prazo longo, características intrínsecas ao setor de infraestrutura.

O GRI Institute, em seus encontros ao longo de 2026, incluindo o GRI Brazil Investment Summit, tem destacado que o gargalo da infraestrutura brasileira não reside na escassez de capital disponível, mas na consistência do ambiente de negócios e no custo do dinheiro. A presença de executivos como Berenguer nesses fóruns reforça a tese de que o financiamento de infraestrutura em 2026 é, antes de tudo, uma conversa entre líderes de grandes instituições financeiras e formuladores de política econômica.

Como a nova lei de debêntures de infraestrutura reconfigurou o mercado?

A Lei nº 14.801/2024 representou uma inflexão regulatória relevante para o setor. Diferente do modelo anterior, baseado na Lei 12.431/2011, que concentrava o incentivo fiscal no investidor pessoa física por meio da isenção de imposto de renda, a nova legislação concede benefícios diretamente aos emissores, ou seja, às empresas e concessionárias que financiam projetos de infraestrutura. Além disso, a lei permite a emissão de bonds incentivados no exterior com alíquota zero de imposto de renda retido na fonte para investidores não residentes.

A primeira emissão de debêntures de infraestrutura sob os parâmetros da Lei 14.801/2024 ocorreu no final de 2025, conforme registrado pelo escritório Justen, Pereira Oliveira & Talamini Advogados, após a consolidação dos marcos regulatórios necessários. Esse evento inaugurou uma nova fase do mercado de capitais voltado a infraestrutura, ampliando o leque de instrumentos disponíveis para captação.

O crescimento das operações com debêntures já vinha se acelerando de forma expressiva. A contratação de crédito via operações com debêntures saltou de R$ 90 milhões em 2020 para dezenas de bilhões nos anos seguintes, consolidando o mercado de capitais como vetor central do financiamento de infraestrutura no Brasil, segundo dados reportados pela Folha de S.Paulo em setembro de 2025.

Esse salto quantitativo não é apenas uma estatística. Ele sinaliza uma mudança estrutural no modelo de funding do setor, que migrou de um paradigma de financiamento subsidiado e concentrado para um ecossistema descentralizado, no qual bancos comerciais, investidores institucionais e o mercado de capitais dividem protagonismo.

O paradoxo da renda fixa: debêntures avançam, equity recua

A observação de José Berenguer sobre o efeito distorcivo da Selic alta merece atenção analítica. Os incentivos fiscais criados para estimular o financiamento privado de infraestrutura foram desenhados, em grande parte, para instrumentos de renda fixa. Com a taxa básica de juros em patamares elevados, esses papéis se tornam ainda mais atrativos para investidores, gerando uma concentração de capital em debêntures e outros títulos de dívida.

O resultado é um mercado que se retroalimenta: quanto mais alta a Selic, mais competitivas ficam as debêntures incentivadas frente a alternativas de equity. IPOs de concessionárias e empresas de infraestrutura ficam praticamente inviáveis, e o mercado de ações perde relevância como fonte de capital de risco para o setor.

Para os banqueiros de grande porte, esse cenário é ao mesmo tempo uma oportunidade e um risco. A oportunidade está na demanda crescente por estruturação de operações de dívida de longo prazo. O risco reside na concentração excessiva do financiamento em um único tipo de instrumento, o que pode gerar fragilidades em cenários de estresse de crédito.

Dados da Agência iNFRA, publicados em março de 2026, indicam que as operações diretas de financiamento para infraestrutura avançaram 5,2% em relação ao ano anterior, com destaque para as debêntures incentivadas. Esse crescimento, ainda que modesto em termos percentuais, confirma a tendência de fortalecimento dos instrumentos de renda fixa como espinha dorsal do financiamento setorial.

Qual é o papel dos CEOs de bancos na próxima fase da infraestrutura brasileira?

A projeção da ABDIB de que os investimentos em infraestrutura atinjam um recorde histórico em 2026 depende, em larga medida, da disposição dos grandes bancos comerciais em alocar capital de longo prazo no setor. Concessionárias e desenvolvedores de projetos podem estruturar operações sofisticadas, mas a execução financeira passa pelos comitês de crédito e pelas tesourarias dessas instituições.

José Berenguer e seus pares em outras grandes instituições financeiras ocupam, portanto, uma posição de arbítrio no ecossistema. Suas decisões sobre apetite de risco, spread de crédito e alocação setorial definem, na prática, quais projetos avançam e quais permanecem no pipeline.

O financiamento de infraestrutura em 2026 é, antes de tudo, uma questão de liderança institucional. Os banqueiros-executivos que controlam as maiores plataformas de crédito do país tornaram-se peças indispensáveis na engrenagem que conecta política pública, mercado de capitais e execução de projetos.

O GRI Institute tem acompanhado essa reconfiguração do ecossistema financeiro com atenção particular aos movimentos dos CEOs de grandes bancos. Em um ambiente onde o capital disponível supera a capacidade de absorção dos projetos, conforme debatido em encontros recentes da instituição, a seletividade dos gatekeepers bancários se transforma no filtro mais relevante para determinar o ritmo de execução da agenda de infraestrutura.

A trajetória de José Berenguer à frente do Banco XP ilustra como a convergência entre banking tradicional e mercado de capitais está redefinindo o perfil dos líderes que moldam o setor. Num país onde as debêntures de infraestrutura ganham escala inédita e o equity permanece represado pela Selic, o poder de decisão migra das mesas de trading para os gabinetes dos CEOs de grandes bancos, e é ali que se desenha o mapa real do financiamento de infraestrutura no Brasil.

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