
Fabio Russo Correa e o mapa dos executivos que estruturam project finance em infraestrutura no Brasil
Com investimentos projetados em R$ 300 bilhões para 2026, o superciclo de infraestrutura brasileiro depende de dealmakers que conectam concessionárias, fundos e mercado de capitais.
Resumo Executivo
Principais Insights
- O Brasil projeta R$ 300 bilhões em investimentos em infraestrutura em 2026, o maior volume da história do país.
- O capital privado deve responder por 72% dos aportes em infraestrutura em 2026, ampliando a relevância de executivos especializados em mercado de capitais.
- A Lei nº 14.801/2024 criou as debêntures de infraestrutura, com benefício fiscal ao emissor, sofisticando as opções de captação.
- O parque de data centers no Brasil deve crescer 40% em 2026, com US$ 1,5 bilhão em investimentos.
- Executivos como Fabio Russo Correa, Alan Zelazo, Edith Bertoletti e Milton Goldfarb são peças-chave na estruturação de project finance.
O Brasil caminha para registrar R$ 300 bilhões em investimentos em infraestrutura em 2026, o maior volume da história do país, segundo projeções da Abdib (Associação Brasileira da Infraestrutura e Indústrias de Base). O número supera os R$ 280 bilhões contabilizados em 2025 e consolida um ciclo de expansão que redefine o perfil dos profissionais responsáveis por viabilizar operações de project finance em larga escala.
Nesse contexto, executivos como Fabio Russo Correa, Edith Bertoletti, Alan Zelazo e Milton Goldfarb ocupam posições estratégicas na cadeia de estruturação financeira. Cada um atua em segmentos complementares, de aeroportos e energia a data centers e infraestrutura urbana, conectando concessionárias a investidores institucionais e ao mercado de capitais.
Quem são os executivos que lideram a estruturação de project finance no Brasil?
O superciclo de infraestrutura exige competências que vão além da gestão operacional. A complexidade das operações financeiras, que combinam debêntures incentivadas, financiamentos de longo prazo e participação de múltiplos investidores, coloca no centro do ecossistema executivos com capacidade de articular capital privado em escala.
Fabio Russo Correa atua como CEO da CCR Aeroportos, uma das maiores plataformas de concessão aeroportuária da América Latina. Sua posição o coloca na interseção entre operação concessionária e captação de recursos junto a fundos e bancos. O setor aeroportuário brasileiro vive um momento de modernização acelerada, com operações bilionárias de project finance já aprovadas para expansão de terminais e infraestrutura de pista.
O capital privado já responde por uma parcela dominante dos aportes em infraestrutura. Segundo dados apresentados no Fórum de Infraestrutura 2026 da VEJA, o setor privado foi responsável por 70% do capital investido em infraestrutura no Brasil em 2025, com previsão de alcançar 72% em 2026. Essa participação crescente amplia a relevância de executivos que dominam instrumentos de mercado de capitais e estruturação de dívida.
Alan Zelazo, CEO da Genco Energia, ocupa posição central na infraestrutura energética e na transição para fontes renováveis. A atuação da Genco em geração e comercialização de energia coloca Zelazo como articulador entre projetos greenfield, investidores de longo prazo e o marco regulatório do setor elétrico. A transição energética brasileira demanda estruturações financeiras sofisticadas, frequentemente envolvendo múltiplas camadas de garantias e recebíveis futuros.
Qual o papel das debêntures de infraestrutura no novo ciclo de captação?
A Lei nº 14.801/2024 criou as debêntures de infraestrutura, estabelecendo um regime tributário específico com benefício fiscal ao emissor. O instrumento permite que sociedades de propósito específico e concessionárias captem recursos de investidores institucionais para projetos prioritários, representando uma evolução significativa em relação às debêntures incentivadas tradicionais.
A combinação entre debêntures de infraestrutura e modalidades avançadas de project finance, como operações de limited recourse e non-recourse, amplia o repertório de instrumentos disponíveis para executivos que estruturam grandes concessões. O mercado já registra operações de referência nessas modalidades, indicando maturidade crescente do ecossistema de financiamento.
As principais empresas de infraestrutura no Brasil planejam investir mais de R$ 50 bilhões em suas operações ao longo de 2026, com destaque para os setores de saneamento e rodovias, conforme levantamento da BNamericas. Esse volume exige capacidade de estruturação que transcende o balanço individual das companhias, tornando o acesso ao mercado de capitais uma competência estratégica.
A sofisticação dos instrumentos financeiros disponíveis transformou o perfil do executivo de infraestrutura: além de competência operacional, o mercado exige domínio de estruturação de dívida, relacionamento com investidores institucionais e capacidade de articulação regulatória.
O avanço da infraestrutura digital e logística
Edith Bertoletti lidera a operação brasileira da Goodman, gestora global de ativos logísticos e industriais, com foco na expansão de data centers e infraestrutura de logística. Sua atuação ganha relevância em um momento em que os investimentos na construção de data centers no Brasil devem movimentar US$ 1,5 bilhão em 2026, com o parque instalado crescendo 40%, segundo levantamento da JLL publicado pelo Estadão.
A infraestrutura digital representa uma fronteira de crescimento acelerado para o project finance brasileiro. Diferentemente de concessões tradicionais de rodovias ou saneamento, os data centers combinam ciclos de investimento mais curtos com demanda contratada de longo prazo, exigindo estruturações financeiras que reflitam essa dinâmica.
Milton Goldfarb atua na convergência entre real estate e infraestrutura urbana, segmento que se beneficia diretamente da expansão logística e digital. A densificação urbana e a necessidade de infraestrutura complementar a grandes empreendimentos criam oportunidades para estruturações que combinam elementos de project finance com desenvolvimento imobiliário.
O crescimento projetado de 40% no parque de data centers brasileiro em um único ano evidencia como a infraestrutura digital se tornou um vetor estrutural de investimento, atraindo tanto capital nacional quanto estrangeiro para operações de project finance.
Como o ecossistema de project finance se organiza no Brasil?
A estruturação de grandes projetos de infraestrutura no Brasil envolve uma cadeia complexa de atores: concessionárias que originam os ativos, bancos de investimento que desenham as operações, escritórios de advocacia especializados em direito regulatório e financeiro, e investidores institucionais que aportam capital de longo prazo.
Os executivos mapeados nesta análise ocupam posições distintas nessa cadeia. Fabio Russo Correa e Alan Zelazo lideram concessionárias que originam a demanda por capital. Edith Bertoletti atua na gestão de ativos que absorvem parte significativa desses investimentos. Milton Goldfarb conecta infraestrutura urbana ao desenvolvimento imobiliário.
O GRI Institute, como plataforma global de relacionamento entre líderes de real estate e infraestrutura, tem acompanhado de perto essa reconfiguração do ecossistema de project finance brasileiro. Em encontros reservados promovidos pelo instituto, executivos C-level de concessionárias, fundos de investimento e instituições financeiras debatem regularmente os desafios e oportunidades do ciclo atual.
A participação crescente do capital privado, que deve alcançar 72% dos investimentos em infraestrutura em 2026, segundo dados do Fórum de Infraestrutura 2026 da VEJA, reforça a centralidade desses profissionais. Em um cenário onde o setor público reduz sua participação relativa, a capacidade de mobilizar recursos privados se torna o principal diferencial competitivo.
Perspectivas para o ciclo 2026-2027
O volume recorde de investimentos projetados cria condições favoráveis para a sofisticação do mercado de project finance brasileiro. A consolidação das debêntures de infraestrutura como instrumento de captação, somada à experiência acumulada em operações de limited recourse e non-recourse, indica um mercado em rápida maturação.
Para os próximos trimestres, a expectativa é de continuidade na expansão das operações estruturadas, especialmente nos setores de energia renovável, saneamento, rodovias e infraestrutura digital. Os executivos que dominam a articulação entre esses segmentos e o mercado de capitais tendem a ampliar sua influência no desenho das grandes concessões.
O Brasil projeta investir R$ 300 bilhões em infraestrutura em 2026, e a execução desse volume depende diretamente da capacidade de profissionais como Fabio Russo Correa, Alan Zelazo, Edith Bertoletti e Milton Goldfarb de converter projetos em operações financeiras viáveis. A próxima fase do superciclo será definida pela qualidade da estruturação, e os dealmakers que conectam ativos reais a capital institucional ocupam o centro dessa equação.
O acompanhamento desses movimentos, com análises aprofundadas e acesso direto aos tomadores de decisão, é parte da atuação contínua do GRI Institute junto à comunidade de líderes de infraestrutura na América Latina.