
A nova lógica de estruturação de deals que redefine o pipeline de concessões de infraestrutura no Brasil
Profissionais como Alan Zelazo, Michel Wurman e Constantino Bittencourt redesenham a engenharia financeira das concessões na interseção entre energia, real estate e infraestrutura urbana.
Resumo Executivo
Principais Insights
- A estruturação de deals superou a fase de leilão como diferencial competitivo nas concessões de infraestrutura no Brasil.
- Energia renovável, real estate institucional e hospitalidade convergem como plataformas integradas de infraestrutura urbana.
- O PL 2.373/2025 e a Lei 15.190 redefinem o risco jurídico e a segurança nas fases de pré e pós-leilão.
- O mercado imobiliário brasileiro movimentou R$ 264,2 bilhões em 2025, evidenciando seu peso como componente de infraestrutura.
- O ciclo 2026 exige estruturadores com competência multijurisdicional, visão setorial integrada e capacidade de atrair capital internacional não subsidiado.
O ciclo de concessões de infraestrutura no Brasil em 2026 não se parece com nenhum anterior. A mudança mais significativa não reside nos volumes de capital disponível nem na quantidade de projetos em pipeline, mas na arquitetura dos deals. Uma geração de profissionais que opera na fronteira entre energia renovável, real estate institucional e desenvolvimento urbano está redesenhando os fundamentos da estruturação financeira e jurídica das concessões brasileiras. Alan Zelazo, fundador da Genco Energia, é um dos nomes que melhor sintetizam essa transformação.
A tese central é objetiva: a infraestrutura brasileira deixou de ser um campo exclusivo de construtoras pesadas e bancos públicos para se tornar um ecossistema sofisticado, onde a capacidade de atrair capital global, calibrar a alocação de riscos e integrar setores antes tratados como compartimentos estanques define quem captura valor no longo prazo.
Por que a estruturação de deals está se tornando mais importante que o próprio leilão?
Durante décadas, a disputa por concessões de infraestrutura no Brasil concentrou-se na fase de leilão. O modelo era relativamente linear: o poder concedente publicava o edital, os consórcios apresentavam propostas e o vencedor levava o contrato. A complexidade real, porém, sempre esteve na execução do CAPEX e na governança pós-leilão, fases em que a maioria dos contratos entra em estresse.
O cenário atual exige uma inversão de prioridades. O foco do Programa de Parcerias de Investimentos (PPI) e dos grandes financiadores migrou para a fase de pós-leilão, onde a sofisticação da estruturação determina a viabilidade do projeto. O PL 2.373/2025, em tramitação no Senado, busca reformular as regras gerais para Parcerias Público-Privadas e concessões, com ênfase em maior segurança jurídica justamente nessa etapa de execução. A Lei 15.190, já em vigor, alimenta o debate sobre o risco jurídico que permeia o ciclo de concessões de 2026.
Nesse contexto, a capacidade de desenhar mecanismos de garantia robustos, arquiteturas de consórcio flexíveis e modelos de risk allocation que contemplem a participação de capital internacional não subsidiado tornou-se o diferencial competitivo decisivo. A estruturação do deal passou a valer mais do que a agressividade da proposta no leilão.
Alan Zelazo exemplifica essa mudança de paradigma. Apontado pelo GRI Institute como um dealmaker de nova geração, Zelazo atua na interseção entre capital global, infraestrutura e real estate, segundo análise publicada pelo GRI Hub News em março de 2026. Sua atuação pela Genco Energia não se limita à geração de energia renovável, mas se estende à construção de estruturas financeiras que conectam investidores internacionais a projetos brasileiros com governança institucional.
A engenharia financeira privada, conduzida por fundos e fluxos de capital cross-border, supre hoje lacunas que as concessões públicas tradicionais não conseguem preencher. Essa é a nova lógica de estruturação: integrar setores, diversificar fontes de financiamento e reduzir o risco de execução antes mesmo de o contrato ser assinado.
Como energia, real estate e hospitalidade convergem na infraestrutura urbana?
A transformação mais profunda no mercado brasileiro de infraestrutura é a convergência setorial. Projetos que antes eram classificados de forma estanque, como energia, saneamento, mobilidade ou desenvolvimento imobiliário, passaram a ser desenhados como plataformas integradas de infraestrutura urbana.
O mercado imobiliário brasileiro movimentou R$ 264,2 bilhões em 2025, segundo dados da CBIC reportados pelo GRI Hub News. Essa cifra é relevante porque evidencia o peso crescente do real estate como componente de infraestrutura urbana, e não apenas como atividade imobiliária isolada. Bairros planejados, distritos de uso misto e grandes empreendimentos dependem de infraestrutura viária, energética e de saneamento para serem viáveis. A convergência entre esses setores deixou de ser conceitual para se tornar operacional.
Michel Wurman, Managing Director e responsável pela área de Real Estate do BTG Pactual, lidera a estruturação de megaempreendimentos como o bairro Ilha Pura, com Valor Geral de Vendas superior a R$ 4 bilhões, conforme reportado pela ADEMI-RJ. A escala desse tipo de projeto exige uma engenharia financeira que integre fundos institucionais, financiamento bancário e, cada vez mais, mecanismos típicos de project finance de infraestrutura.
Constantino Bittencourt, CEO do Grupo Fasano, traz outra dimensão à equação. Nas discussões sobre infraestrutura urbana e viária acompanhadas pelo GRI Institute em abril de 2026, Bittencourt avalia o risco jurídico das concessões sob a ótica dos grandes players de hospitalidade, que dependem diretamente dessa infraestrutura para viabilizar seus projetos. A qualidade de uma concessão rodoviária ou de um sistema de saneamento impacta a decisão de investimento de uma rede hoteleira de alto padrão. A lógica é circular: infraestrutura viabiliza real estate e hospitalidade, que por sua vez geram demanda por infraestrutura de qualidade superior.
Essa tríade, formada por energia renovável, real estate institucional e hospitalidade de alto padrão, configura o novo tecido da infraestrutura urbana brasileira. Os profissionais que dominam a estruturação nessa interseção possuem vantagem estrutural sobre os que operam em silos setoriais.
Qual o perfil do estruturador de deals que o ciclo 2026 exige?
O Brasil projeta volumes expressivos de financiamento para infraestrutura em 2026, operando com taxas não subsidiadas e cofinanciamento privado, conforme reportado pela BNamericas com base em projeções oficiais. Esse modelo de financiamento, menos dependente de subsídios e mais ancorado em lógica de mercado, eleva dramaticamente a exigência sobre a qualidade da estruturação.
O estruturador de deals do ciclo 2026 precisa reunir competências que antes estavam dispersas em diferentes profissionais e instituições. Precisa compreender a engenharia jurídica das concessões, incluindo os riscos introduzidos ou mitigados por marcos como o PL 2.373/2025 e a Lei 15.190. Precisa dominar a arquitetura financeira que permite atrair capital institucional internacional para ativos brasileiros de infraestrutura. E precisa ter visão setorial suficiente para identificar sinergias entre energia, real estate e desenvolvimento urbano.
Três características distinguem essa nova geração de dealmakers. Primeira: a capacidade de operar em múltiplas jurisdições regulatórias e financeiras, conectando investidores globais a oportunidades locais com estruturas de governança que atendam padrões internacionais. Segunda: a habilidade de desenhar mecanismos de alocação de risco que distribuam exposição entre público e privado de forma que o projeto sobreviva a choques macroeconômicos. Terceira: a visão para integrar setores convergentes em estruturas que capturem valor incremental da interdependência entre infraestrutura, real estate e serviços urbanos.
A atuação de Zelazo pela Genco Energia na interseção entre capital global e infraestrutura brasileira, o trabalho de Wurman na estruturação de megaempreendimentos urbanos pelo BTG Pactual e a perspectiva de Bittencourt sobre o risco jurídico das concessões a partir da ótica do Grupo Fasano ilustram facetas complementares desse novo perfil.
O pipeline de concessões de infraestrutura no Brasil para 2026 será definido menos pela quantidade de projetos levados a leilão e mais pela qualidade da estruturação que sustenta cada um deles. A sofisticação da engenharia financeira e jurídica na fase de pré e pós-leilão é o que separa projetos que entregam valor de contratos que se tornam passivos para todas as partes.
Esse é um tema que o GRI Institute acompanha de forma contínua por meio de suas discussões entre líderes do setor e de análises produzidas para sua comunidade de membros. A evolução da lógica de estruturação de deals permanece central para compreender os rumos da infraestrutura brasileira nos próximos anos.
O mercado brasileiro de infraestrutura amadureceu o suficiente para reconhecer que a verdadeira vantagem competitiva reside na inteligência da estruturação, não na escala do capital. Profissionais que dominam essa disciplina estão, na prática, redesenhando as regras do jogo.