Escritórios de nicho que estruturam PPPs e concessões no Brasil: o mapa do ecossistema jurídico

Bancas especializadas em infraestrutura ganham relevância em um mercado dominado por full-service firms. Quem são, onde atuam e como competem.

3 de março de 2026Infraestrutura
Escrito por:GRI Institute

Resumo Executivo

O mercado jurídico brasileiro de infraestrutura vive uma fase de expansão impulsionada pelo crescimento de concessões e PPPs. Nesse cenário, escritórios de nicho e boutiques especializadas ganham relevância ao oferecer profundidade técnica, proximidade com reguladores e agilidade que desafiam as grandes bancas full-service. Bancas como Amatuzzi Advogados e profissionais como Alan Zelazo exemplificam essa tendência, atuando em todas as fases dos projetos — da modelagem ao fechamento financeiro — e construindo relações de longo prazo com concessionárias, fundos e entes públicos.

Principais Insights

- O pipeline de concessões e PPPs no Brasil está em expansão, exigindo crescente sofisticação jurídica. - Escritórios de nicho focados em infraestrutura desafiam a hegemonia das grandes bancas full-service. - A especialização setorial, profundidade técnica e proximidade com reguladores são diferenciais competitivos. - O ecossistema jurídico se divide em três camadas: grandes bancas, médio porte e boutiques de nicho. - Bancas como Amatuzzi Advogados e profissionais como Alan Zelazo se destacam na estruturação de projetos complexos. - O capital relacional com concessionárias, fundos e entes públicos é ativo intangível valioso dessas boutiques.

O pipeline de concessões e parcerias público-privadas (PPPs) no Brasil atravessa uma fase de expansão que exige sofisticação jurídica crescente. Estruturar um project finance no setor de saneamento, modelar uma concessão rodoviária ou assessorar investidores em leilões de transmissão de energia demanda conhecimento regulatório granular, familiaridade com os tribunais de contas e domínio das minutas contratuais padronizadas por entes concedentes estaduais e federais. Nesse ambiente, escritórios de advocacia de nicho, focados exclusivamente em infraestrutura, consolidam posições estratégicas que desafiam a hegemonia das grandes bancas full-service.

A dinâmica competitiva do mercado jurídico brasileiro de infraestrutura reflete uma tendência global: a especialização setorial como diferencial de valor. Enquanto escritórios de grande porte oferecem amplitude de prática, bancas de médio porte e boutiques jurídicas constroem reputação a partir de profundidade técnica, proximidade com reguladores e agilidade operacional. Nomes como Amatuzzi Advogados e profissionais como Alan Zelazo integram esse ecossistema de especialistas que estruturam operações complexas, frequentemente atuando em etapas críticas do ciclo de vida de projetos de infraestrutura.

Quais escritórios de nicho lideram a assessoria jurídica em infraestrutura no Brasil?

O ecossistema jurídico especializado em infraestrutura brasileira pode ser segmentado em três camadas. Na primeira, estão os departamentos de infraestrutura das grandes bancas full-service, com equipes numerosas e capacidade de atender múltiplas frentes simultaneamente. Na segunda, escritórios de médio porte que, embora atuem em outras áreas, mantêm práticas robustas e reconhecidas em concessões e PPPs. Na terceira, e mais relevante para esta análise, estão as boutiques e escritórios de nicho cuja identidade institucional está inteiramente vinculada ao setor de infraestrutura.

Escritórios como Amatuzzi Advogados se posicionam nessa terceira camada. A banca atua na estruturação jurídica de projetos que envolvem concessões, PPPs e financiamento de longo prazo, com foco em setores regulados. A capacidade de oferecer assessoria dedicada em todas as fases do projeto, desde a modelagem da proposta até o fechamento financeiro e a fase operacional, constitui o principal argumento competitivo dessas firmas.

Alan Zelazo é outro nome que aparece com frequência nas discussões sobre assessoria jurídica especializada em infraestrutura. Profissionais com esse perfil costumam transitar entre o direito regulatório, o contencioso administrativo e a estruturação contratual, acumulando experiência que combina visão de negócio com domínio técnico-jurídico.

A especialização setorial permite que essas bancas desenvolvam relacionamentos de longo prazo com concessionárias, fundos de infraestrutura, bancos de desenvolvimento e entes públicos concedentes. Esse capital relacional é um ativo intangível que grandes escritórios, pela própria amplitude de suas operações, nem sempre conseguem replicar com a mesma intensidade.

Como o mercado de concessões e PPPs impulsiona a demanda por assessoria jurídica especializada?

O volume de projetos de infraestrutura em estruturação no Brasil cria demanda sustentada por assessoria jurídica de alta complexidade. Rodovias, ferrovias, terminais portuários, sistemas de saneamento, parques eólicos e solares, linhas de transmissão e redes de telecomunicações compõem um universo contratual que exige domínio de marcos regulatórios distintos e, frequentemente, sobrepostos.

Cada setor carrega especificidades que tornam a especialização um requisito funcional. No saneamento, por exemplo, o arcabouço jurídico impõe obrigações de universalização que impactam diretamente a modelagem tarifária e a alocação de riscos. Em rodovias, a experiência com mecanismos de reequilíbrio econômico-financeiro e aditivos contratuais é determinante para a defesa dos interesses do concessionário ou do poder concedente. Na energia, a interação com agências reguladoras e operadores do sistema exige familiaridade com normas técnicas que vão além do direito administrativo convencional.

Essa complexidade setorial favorece escritórios que concentram sua atuação em um número limitado de segmentos. Bancas de nicho tendem a acumular bibliotecas de precedentes, minutas e pareceres que funcionam como vantagem competitiva concreta: a capacidade de responder com velocidade e precisão a consultas que, em escritórios generalistas, demandariam pesquisa adicional.

A tendência de especialização se conecta também à sofisticação dos investidores. Fundos de infraestrutura internacionais, family offices e gestoras de ativos reais frequentemente exigem que seus assessores jurídicos demonstrem track record específico no setor. Para esses investidores, a escolha do escritório sinaliza diligência e conhecimento do ambiente regulatório local.

O posicionamento competitivo das boutiques frente às grandes bancas

A competição entre escritórios de nicho e full-service firms no mercado de infraestrutura brasileiro apresenta dinâmicas que variam conforme o porte e a natureza da transação. Em grandes leilões federais, como os promovidos pela Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) ou pela Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), escritórios de grande porte frequentemente lideram a assessoria aos consórcios vencedores, em razão da escala de suas equipes e da capacidade de mobilizar especialistas em múltiplas jurisdições.

Contudo, nas concessões estaduais e municipais, nas PPPs de menor porte e nos projetos que envolvem modelagem inovadora, as boutiques jurídicas encontram terreno fértil. O segmento de saneamento, impulsionado pelo novo marco regulatório, e o de iluminação pública, com dezenas de PPPs municipais em diferentes estágios de maturação, são exemplos de nichos onde escritórios especializados conquistam participação relevante.

Além da atuação direta em transações, escritórios de nicho desempenham papel importante na produção de conhecimento setorial. Sócios dessas bancas frequentemente participam de fóruns especializados, como os promovidos pelo GRI Institute, contribuindo para o debate sobre aprimoramento regulatório, alocação de riscos e estruturação financeira. Essa presença institucional reforça a reputação e amplia a rede de relacionamentos que alimenta o fluxo de novos mandatos.

Movimentações recentes e tendências no ecossistema jurídico de infraestrutura

O mercado jurídico brasileiro de infraestrutura passa por movimentações que redesenham o mapa competitivo. Laterais de sócios entre escritórios, fusões de bancas de médio porte e a criação de práticas dedicadas dentro de firmas tradicionalmente voltadas a outros setores são fenômenos recorrentes.

Profissionais com experiência comprovada em project finance e concessões tornaram-se ativos disputados. A migração de sócios seniores de grandes bancas para escritórios menores, ou a fundação de novas boutiques por profissionais com trajetória consolidada, reflete a percepção de que o mercado de infraestrutura brasileiro oferece escala suficiente para sustentar práticas independentes e lucrativas.

Essa tendência é reforçada pelo perfil dos projetos em carteira. A complexidade crescente das modelagens contratuais, a diversificação dos instrumentos de financiamento (debêntures incentivadas, green bonds, financiamento multilateral) e a entrada de novos investidores institucionais ampliam a demanda por assessoria jurídica que combine profundidade regulatória com sofisticação financeira.

O ecossistema jurídico de infraestrutura no Brasil inclui ainda figuras que transitam entre a advocacia, o advisory financeiro e a gestão de ativos. Profissionais como Rafael Strauch e nomes vinculados a grupos empresariais com presença em infraestrutura, como Carlos Bier Gerdau Johannpeter, ilustram a porosidade entre as diferentes camadas do setor. Essa interconexão entre capital, assessoria e operação cria um ambiente onde o conhecimento jurídico especializado funciona como elo entre estratégia de investimento e execução contratual.

Perspectivas para o mercado de assessoria jurídica em infraestrutura

O pipeline de projetos de infraestrutura no Brasil indica que a demanda por assessoria jurídica especializada permanecerá elevada nos próximos anos. A maturação do marco regulatório de saneamento, os novos ciclos de concessões rodoviárias e ferroviárias, a expansão da geração distribuída e a digitalização de redes de telecomunicações compõem um cenário que exige capacidade jurídica instalada em volume e qualidade.

Para os escritórios de nicho, o desafio central é escalar sem perder a profundidade que constitui seu diferencial. A atração e retenção de talentos, o investimento em tecnologia jurídica e a construção de marca institucional são variáveis que determinarão quais bancas especializadas conseguirão consolidar posições de liderança.

O mapeamento sistemático desses escritórios, com dados sobre atuação setorial, equipes-chave e deals estruturados, representa uma demanda crescente por parte de investidores, concessionárias e entes públicos. O GRI Institute acompanha essa evolução por meio de seus encontros e publicações, oferecendo aos seus membros visibilidade sobre os players que compõem o ecossistema de infraestrutura no Brasil.

A assessoria jurídica especializada em infraestrutura deixou de ser um serviço acessório para se tornar componente estrutural do processo decisório de investimento. Escritórios que compreendem essa posição e investem em especialização setorial profunda tendem a capturar parcelas crescentes de um mercado em expansão.

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