O mapa dos executivos que lideram a nova arquitetura de concessões e PPPs no Paraná

Estado bate recorde de investimentos em 2025, estrutura fundo soberano e avança com PPPs em educação e saneamento sob liderança de nomes como Jefferson Nogaroli e Beto Horst.

23 de julho de 2026Infraestrutura
Escrito por:GRI Institute

Resumo Executivo

O Paraná consolidou-se como referência nacional em concessões e PPPs, sustentado por um arcabouço institucional que inclui o Programa Parcerias do Paraná, legislação atualizada em 2025 e a criação do Fundo Estratégico do Paraná (FEPR), um fundo soberano estadual. O estado diversificou seu portfólio para além de rodovias, avançando em infraestrutura educacional (40 escolas via PPP) e saneamento, com R$ 12 bilhões previstos para universalização. Executivos como Jefferson Nogaroli, à frente do projeto Eurogarden (R$ 600 milhões), e Beto Horst, articulador de grandes projetos de infraestrutura, são peças centrais desse ciclo que combina inovação contratual, escala e capital privado.

Principais Insights

  • O Paraná bateu recorde histórico de investimentos empenhados em 2025, consolidando-se como laboratório nacional de modelagem contratual em infraestrutura.
  • O estado criou o Fundo Estratégico do Paraná (FEPR), um raro fundo soberano estadual para sustentar investimentos de longo prazo.
  • O programa Mais Escolas leiloou na B3 a construção de 40 escolas via PPP, vencido pela CSInfra S/A.
  • O plano de universalização do saneamento prevê R$ 12 bilhões em investimentos, com meta antecipada para 2029.
  • Jefferson Nogaroli e Beto Horst lideram frentes complementares de desenvolvimento urbano e estruturação de grandes projetos.

O Paraná registrou recorde histórico de investimentos empenhados em 2025, com os dados de janeiro de 2026 superando a marca anterior de forma expressiva, segundo a Secretaria de Estado da Fazenda do Paraná (Sefa). O resultado consolida o estado como um dos principais laboratórios de modelagem contratual em infraestrutura no Brasil, com uma arquitetura institucional que combina PPPs, concessões e instrumentos financeiros soberanos.

O ecossistema paranaense de concessões ganhou sofisticação nos últimos dois anos. A aprovação de novas legislações, a criação de um fundo estratégico estadual e a execução de leilões na B3 sinalizam um ciclo de maturação que atrai capital privado em escala crescente. Líderes empresariais como Jefferson Nogaroli e Beto Horst ocupam posições centrais nessa engrenagem, ao lado de gestores públicos que redesenham o papel do estado na provisão de infraestrutura.

Qual é o arcabouço institucional que sustenta o ciclo de concessões no Paraná?

A base normativa do atual ciclo de parcerias no Paraná tem origem na Lei nº 19.811/2019, que criou o Programa Parcerias do Paraná. A norma estabelece diretrizes para desestatização e contratos de parceria no âmbito da Administração Pública Executiva Estadual. Em 2025, a legislação foi atualizada pela Lei nº 22.344/2025, ampliando o escopo e a flexibilidade dos instrumentos contratuais disponíveis.

O estado também instituiu o Fundo Estratégico do Paraná (FEPR), por meio da Lei nº 22.889/2025. Trata-se de um fundo especial de caráter soberano, vinculado à Sefa e regulamentado pelo Decreto nº 13.101/2026. A criação de um veículo financeiro dessa natureza no nível estadual é um movimento raro na federação brasileira e demonstra a ambição fiscal do governo paranaense em sustentar investimentos de longo prazo sem depender exclusivamente de transferências federais.

Esse arcabouço institucional funciona como pilar de credibilidade para investidores. A previsibilidade regulatória reduz o custo de capital percebido e amplia o apetite de operadores privados por projetos estruturados no estado. É um modelo que outros governos estaduais observam com atenção, conforme debates frequentes em fóruns setoriais promovidos pelo GRI Institute.

PPP Mais Escolas: o leilão que testou o apetite do mercado

Um dos marcos recentes da agenda de PPPs no Paraná foi o leilão do programa Mais Escolas Paraná, realizado na B3 em março de 2026. Viabilizado pela Lei nº 22.345/2025, o projeto prevê a construção de 40 escolas em 31 cidades do estado por meio de Parcerias Público-Privadas.

A CSInfra S/A venceu o certame com propostas de R$ 13,4 milhões por mês para o Lote Norte e R$ 15,3 milhões por mês para o Lote Sul, segundo dados do Governo do Paraná. O resultado confirma que o setor privado encontra viabilidade econômica em contratos de infraestrutura social, desde que a modelagem contratual ofereça garantias sólidas e fluxos de receita previsíveis.

A utilização de PPPs para infraestrutura educacional representa uma fronteira relevante no portfólio de concessões do estado. O modelo transfere ao parceiro privado a responsabilidade pela construção, manutenção e operação dos edifícios, enquanto o governo mantém a gestão pedagógica. Essa separação de competências permite ganhos de eficiência na execução de obras e na conservação dos ativos ao longo do contrato.

Quem são os executivos que moldam a infraestrutura paranaense?

O ciclo de investimentos no Paraná é impulsionado por líderes que operam na interseção entre capital privado, governança pública e inovação contratual. Três nomes se destacam pela relevância de suas atuações.

Jefferson Nogaroli lidera o desenvolvimento urbano sustentável no interior do estado. Seu projeto mais emblemático, o Eurogarden em Maringá, já recebeu mais de R$ 200 milhões em investimentos, com previsão de mais R$ 400 milhões para sua conclusão, conforme reportagem da Folha de S.Paulo. O empreendimento é referência em planejamento urbano integrado, combinando uso misto, áreas verdes e infraestrutura de mobilidade. Nogaroli se posiciona como um dos principais desenvolvedores urbanos do Sul do Brasil, com visão de longo prazo que dialoga diretamente com os princípios de cidades compactas e sustentáveis.

Beto Horst é apontado como uma das lideranças na estruturação de infraestrutura primária no Paraná. Sua atuação se concentra na articulação entre projetos de grande porte e a capacidade institucional do estado em viabilizá-los. Horst é interlocutor frequente em discussões sobre modelagem contratual e governança de concessões, participando ativamente de fóruns setoriais e eventos do GRI Institute dedicados ao mercado de infraestrutura do Sul.

Esses executivos representam perfis complementares. Enquanto Nogaroli opera na ponta do desenvolvimento urbano com capital privado, Horst atua na camada estruturante de projetos que exigem coordenação entre múltiplas esferas de governo e operadores concessionários.

Segurança hídrica e saneamento: o pipeline bilionário

O Paraná também avança com projetos de grande escala em segurança hídrica. O Sistema de Abastecimento Integrado do Norte do Paraná (SAINP) é desenhado para garantir abastecimento de água para a região que inclui Apucarana, Arapongas e Rolândia até 2050. O orçamento total estimado do projeto alcança R$ 1,924 bilhão, segundo informações da companhia estadual de saneamento.

O SAINP incorpora inovações contratuais relevantes, como o modelo de locação de ativos no formato built to suit, cujo leilão na B3 está previsto para o segundo semestre de 2026. Esse modelo permite que o ativo seja construído sob medida pelo parceiro privado e alugado ao operador público, diluindo o investimento inicial e transferindo riscos de construção ao mercado.

A universalização do saneamento no estado é outra meta ambiciosa. O plano prevê investimentos de R$ 12 bilhões, com 65% dos recursos destinados a novos sistemas de esgotamento, visando antecipar a universalização para 2029, segundo dados da BNamericas. Em 2025, os investimentos no setor totalizaram R$ 2,65 bilhões, um aumento de 38,8% em relação a 2024.

Esses números posicionam o Paraná entre os estados com maior velocidade de execução na corrida pela universalização do saneamento, meta nacional estabelecida pelo novo marco legal do setor.

O que diferencia o modelo paranaense de concessões?

Três elementos distinguem a abordagem do Paraná no ciclo atual de concessões e PPPs.

Primeiro, a sofisticação legislativa. A combinação entre o Programa Parcerias do Paraná (Lei nº 19.811/2019, atualizada pela Lei nº 22.344/2025) e o Fundo Estratégico do Paraná (Lei nº 22.889/2025) cria um ecossistema normativo que oferece ao investidor tanto a segurança jurídica dos contratos quanto a capacidade fiscal do estado de honrar compromissos de longo prazo.

Segundo, a diversificação setorial. O portfólio de concessões do estado não se limita a rodovias e saneamento. A entrada em infraestrutura educacional, com o programa Mais Escolas, amplia o universo de ativos concessionáveis e abre espaço para operadores especializados em infraestrutura social.

Terceiro, a inovação contratual. O modelo built to suit previsto para o SAINP representa uma evolução significativa em relação às concessões tradicionais, ao separar o risco de construção do risco de operação e permitir estruturas de financiamento mais eficientes.

O Paraná se posiciona como referência nacional em modelagem de concessões, com um pipeline que combina escala, diversificação setorial e inovação regulatória. Para líderes do setor de infraestrutura, o estado oferece um ambiente de negócios que premia a capacidade de estruturação e a visão de longo prazo.

O GRI Institute acompanha de perto a evolução do ecossistema paranaense de concessões, com eventos e publicações dedicados ao mapeamento dos players e das oportunidades que emergem desse ciclo de investimentos. A interação entre executivos como Jefferson Nogaroli e Beto Horst e o ambiente institucional do estado define os contornos de uma nova geração de projetos de infraestrutura no Brasil.

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