
Adriano Sartori e o mapa dos executivos que lideram a estruturação de ativos de infraestrutura no Brasil
Com investimentos recordes projetados para 2026, o ecossistema de infraestrutura brasileiro reorganiza suas lideranças e amplia fronteiras em data centers e logística.
Resumo Executivo
Principais Insights
- O Brasil investiu R$ 280 bilhões em infraestrutura em 2025, com 83% vindos da iniciativa privada, e projeta recorde de R$ 300 bilhões em 2026.
- Adriano Sartori, presidente da CBRE Brasil, posiciona a empresa na fronteira entre real estate e infraestrutura digital, com foco em data centers.
- Reformas regulatórias em curso (novo Marco de Concessões, selo ESG obrigatório e revisão de benefícios fiscais) exigem recalibragem dos modelos de viabilidade.
- A Selic projetada em 12,25% para 2026 pode abrir janela favorável para novos projetos e emissão de debêntures incentivadas.
O Brasil investiu R$ 280 bilhões em infraestrutura em 2025, segundo levantamento da EY-Parthenon e da Abdib (Associação Brasileira da Infraestrutura e Indústrias de Base). Desse total, R$ 234,9 bilhões vieram da iniciativa privada, consolidando o protagonismo do capital privado na formação bruta de capital fixo do setor. O número é expressivo, mas o país ainda aplica cerca de 2% do PIB em infraestrutura, patamar distante dos 4% a 5% considerados necessários para modernizar rodovias, ferrovias, redes de saneamento e sistemas energéticos. É nesse contexto de escala crescente e déficit estrutural que se destacam os executivos responsáveis por originar, estruturar e viabilizar os grandes ativos do país.
Quem é Adriano Sartori e qual o seu papel no ecossistema de infraestrutura?
Adriano Sartori assumiu a presidência da CBRE Brasil em junho de 2024, tornando-se uma das vozes mais ativas do mercado imobiliário e de infraestrutura corporativa no país. Com trajetória consolidada em real estate, Sartori ampliou publicamente o escopo de atuação estratégica ao destacar, em março de 2026, o potencial de expansão em data centers e infraestrutura digital no Brasil. Essa sinalização posiciona a CBRE Brasil em uma fronteira que conecta o mercado imobiliário tradicional à infraestrutura digital, segmento que atrai volumes crescentes de capital institucional.
A atuação de Sartori não se limita à gestão operacional. Ele é uma figura central nos encontros promovidos pelo GRI Institute, especialmente nas edições voltadas ao mercado imobiliário brasileiro, onde participa de discussões estratégicas sobre alocação de capital, governança de ativos e tendências de mercado. A convergência entre real estate e infraestrutura digital representa uma das fronteiras mais dinâmicas do setor, e executivos como Adriano Sartori estão no centro dessa reconfiguração.
R$ 300 bilhões em 2026: o que sustenta a projeção recorde?
A Abdib projeta que o Brasil deve atingir R$ 300 bilhões em investimentos em infraestrutura em 2026, um recorde histórico. Os setores de transporte e logística devem liderar os aportes, com R$ 76,5 bilhões estimados, seguidos pelo saneamento, com R$ 44,5 bilhões, de acordo com a mesma entidade.
Paralelamente, as principais empresas de infraestrutura do país planejam investir mais de R$ 50 bilhões em suas operações ao longo de 2026, conforme dados da BNamericas. Esse volume sinaliza um ciclo de capex robusto, sustentado por concessões em andamento, novas rodadas de leilões e a maturação de projetos vinculados a programas federais de aceleração.
O avanço dos investimentos privados, que já representaram mais de 83% do total aplicado em 2025, redefine o perfil de risco e governança dos projetos de infraestrutura no Brasil. Com o setor público respondendo por R$ 45,1 bilhões no mesmo período, segundo a EY-Parthenon e a Abdib, a liderança privada na alocação de capital exige que os executivos à frente dessas operações dominem não apenas engenharia financeira, mas também regulação, estruturação societária e negociação com múltiplas camadas de governo.
O ambiente regulatório: reformas em curso e seus impactos
A capacidade de estruturar ativos de infraestrutura no Brasil depende diretamente da estabilidade e previsibilidade do marco regulatório. Três movimentos legislativos merecem atenção dos executivos do setor.
O PL 7063/2017, conhecido como o novo Marco Legal das Concessões e PPPs, busca modernizar a legislação vigente para ampliar a segurança jurídica e criar um ambiente regulatório mais dinâmico. Aprovado pela Câmara dos Deputados, o projeto encontra-se em debate no Senado Federal. Sua eventual aprovação pode alterar significativamente a modelagem de riscos e a alocação contratual em novos projetos.
Já o PL 420/2025 propõe a criação do Programa Nacional de Infraestruturas Sustentáveis e Resilientes (PNISR) e institui o Selo de Sustentabilidade e Resiliência da Infraestrutura. Também em tramitação no Senado, o projeto sinaliza uma tendência de incorporação de critérios ESG como requisito formal, e não apenas voluntário, na estruturação de projetos.
Em paralelo, a Lei Complementar nº 224/2025, sancionada em dezembro de 2025, introduziu um regime de revisão estrutural dos benefícios fiscais federais. A norma estabelece uma redução linear de 10% sobre incentivos, o que impacta diretamente o REIDI (Regime Especial de Incentivos para o Desenvolvimento da Infraestrutura). A revisão fiscal exige que os estruturadores de ativos recalibrem modelos de viabilidade econômico-financeira, considerando o encolhimento de benefícios antes incorporados como premissa nas projeções de retorno.
Qual é o perfil dos executivos que estruturam ativos de infraestrutura no Brasil?
Diferentemente de outros mercados, o Brasil não dispõe de um ranking público e consolidado dos executivos que lideram a estruturação de ativos de infraestrutura. O ecossistema é fragmentado entre gestoras de recursos, consultorias, bancos de investimento, construtoras e operadoras de concessões, o que dificulta o mapeamento centralizado.
Ainda assim, é possível identificar características recorrentes entre os profissionais que ocupam posições estratégicas nesse mercado. São executivos com experiência em modelagem financeira de projetos de longo prazo, conhecimento regulatório aprofundado e capacidade de articulação com o setor público. Cada vez mais, domínio de temas como taxonomia verde, certificações de sustentabilidade e compliance fiscal também se tornam diferenciais competitivos.
Adriano Sartori exemplifica uma vertente específica desse perfil: a do executivo com raiz em real estate que expande sua atuação para a infraestrutura digital. Com a demanda global por data centers pressionando mercados como o brasileiro, executivos capazes de integrar competências imobiliárias, como localização, zoneamento e construção, com expertise em infraestrutura crítica, como energia, conectividade e resiliência operacional, ganham relevância estratégica.
O GRI Institute tem funcionado como um espaço de convergência para esse perfil de liderança. Eventos como o Brazil GRI Infra & Energy 2026 e o Infra Sul GRI 2026 reúnem presidentes e CEOs de empresas que operam nos segmentos de transporte, energia, saneamento e infraestrutura digital, promovendo discussões sobre pipeline de projetos, governança e captação de recursos.
O custo de capital e as perspectivas para o segundo semestre
A taxa Selic deve encerrar 2026 em 12,25%, segundo projeção do Banco ABC. Se confirmado, o patamar representaria um alívio relativo para o custo de captação (funding) das empresas de infraestrutura, favorecendo a emissão de debêntures incentivadas e a contratação de financiamentos de longo prazo.
Para os executivos que lideram a estruturação de ativos, a trajetória de juros é uma variável central. Projetos de infraestrutura operam com horizontes de retorno de 20 a 30 anos, e pequenas oscilações na curva de juros alteram substancialmente a taxa interna de retorno e o apetite dos investidores institucionais.
Nesse sentido, o segundo semestre de 2026 pode abrir uma janela favorável para o lançamento de novos projetos e para a reestruturação de passivos de concessões existentes. A combinação de juros em queda moderada, avanço regulatório e volume recorde de investimentos projetados cria um cenário no qual a capacidade de execução dos líderes do setor será decisiva.
Infraestrutura digital: a nova fronteira
A menção pública de Adriano Sartori ao potencial de data centers e infraestrutura digital no Brasil reflete uma tendência global. Centros de dados exigem terrenos com características específicas, conexão redundante a redes de energia e telecomunicações e proximidade com centros urbanos ou cabos submarinos. Trata-se de um ativo que reúne atributos de real estate e de infraestrutura crítica.
O avanço da inteligência artificial, da computação em nuvem e da digitalização de serviços públicos amplia a demanda por capacidade instalada. Para executivos de empresas como a CBRE Brasil, esse é um campo de expansão natural, que exige novas competências e alianças com operadores de energia, telecomunicações e tecnologia.
O GRI Institute acompanha essa tendência com proximidade, incorporando a pauta de infraestrutura digital em suas agendas de discussão e conectando lideranças dos setores imobiliário e de infraestrutura em torno dos desafios comuns de estruturação, financiamento e regulação.
Um ecossistema em transformação
O ciclo de investimentos que o Brasil atravessa em infraestrutura é, por qualquer métrica, o mais ambicioso das últimas décadas. Com R$ 300 bilhões projetados pela Abdib para 2026, o setor exige lideranças que combinem visão estratégica, domínio técnico e capacidade de navegação regulatória. Adriano Sartori, à frente da CBRE Brasil, representa uma das muitas peças desse mosaico, sobretudo na interseção entre real estate e infraestrutura digital. Mapear esses executivos, suas áreas de atuação e suas decisões de alocação de capital é uma tarefa que o mercado brasileiro ainda precisa sistematizar. A qualidade dessa liderança determinará, em grande medida, se o país conseguirá converter investimentos recordes em infraestrutura funcional e resiliente.